No dia 31 de Maio de 2008, os Arquitectos Sem
Fronteiras Portugal, participaram na primeira actividade conjunta do Projecto dos Avieiros.
Após vários encontros de ideias, 15 membros ASFP marcaram presença, para embarcar numa viagem Tejo acima.
Entre associados de todo o país, foi reunida uma equipa adequada à persecução dos objectivos do projecto, constituída maioritariamente por professores universitários, com a presença de colegas urbanistas, técnicos da Direcção Regional da Cultura, técnicos camarários e estudantes finalistas de vários Cursos de Arquitectura do país.
Desde esse momento os Arquitectos Sem Fronteiras Portugal têm desempenhado um papel activo no acompanhamento, coordenação e divulgação do Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património  Nacional, em todas as vertentes relacionadas com a expressão da cultura Avieira, relacionando-a com os domínios da Arquitectura e do Urbanismo.
Na sequência deste empenho e proximidade, em 2009 assumem uma posição de compromisso com o Instituto Politécnico de Santarém.
A primeira acção dos ASFP foi percorrer todo o território referenciado e traçar o diagnóstico da condição dos assentamentos Avieiros, que se apoiou numa aturada pesquisa bibliográfica e no relato directo dos habitantes das aldeias, dos quais foram recolhidos depoimentos, assim como de outros Avieiros e seus descendentes.
Reunida uma quantidade significativa de informação relativa à condição material e imaterial dos assentamentos e suas edificações, realizou-se o “Relatório Preliminar de Levantamento do Estado Actual dos Assentamentos Avieiros”, que viria a ser apresentado no 1º Encontro sobre a candidatura da cultura Avieira a património nacional, que decorreu no Instituto Politécnico de Santarém, nos dias 8 e 9 de Novembro de 2008.
O documento faz uma primeira abordagem ao enquadramento histórico-geográfico da Cultura Avieira no Vale do Tejo, descreve o âmbito e metodologia adoptada na recolha de informação, localiza os assentamentos em fotografia aérea, apresenta um quadro síntese de análise com identificação das várias potencialidades e limitações e aponta já algumas conclusões e recomendações para a condução do processo de reabilitação urbana.
Desde então, os ASFP têm vindo a empenhar-se na divulgação do projecto de candidatura, através de comunicações 1 , publicação de artigos2, edição de material audiovisual3, exposição do projecto4 e participado em reuniões de trabalho com os demais consortes, as quais consideram um dos principais propósitos da sua acção, no sentido de facilitar aos parceiros do projecto consultoria técnica no sentido de promover uma perspectiva de desenvolvimento integrado, salvaguardando a integridade cultural, patrimonial e territorial da comunidade Avieira.
Dentro desta perspectiva, foram realizadas varias reuniões com as autarquias envolvidas, em conjunto com o coordenador do projecto, no sentido de auscultar as suas intenções de investimento, projectos e necessidades técnicas. Municípios estes que, por sua vez, informaram o Instituto Politécnico de Santarém dos seus propósitos, conduzindo o projecto a passos largos para a concretização de uma estratégia de eficiência colectiva.

2008 “Relatório Preliminar de Levantamento do Estado Actual dos Assentamentos Avieiros”, apresentado no 1º Encontro sobre a candidatura da cultura Avieira a património nacional, Instituto Politécnico de Santarém, 8 e 9 de Novembro.
2009 “Avieira Culture” na Conferência Internacional “40 IADE 40”, IADE, Lisboa: 1 a 3 de Outubro.
2010 “Estudo e Conservação do Património Avieiro” nas II Jornadas de Eco-Construção, Associação Aldeia, Baguim do Monte, 16 a 18 de Setembro.

2
2008 “Relatório Preliminar de Levantamento do Estado Actual dos Assentamentos Avieiros”, a publicar nas Actas do 1º Encontro sobre a candidatura da cultura Avieira a património nacional, Instituto Politécnico de Santarém.
2009 “Construções palafíticas da bacia do Tejo. Levantamento e diagnóstico do património construído da Cultura Avieira”, ARTiTEXTOS, 08, Centro Editorial da Faculdade de Arquitectura, Universidade Técnica de Lisboa, Setembro 2009, pp. 153-174. ISBN 9789729346125
“Avieira Culture” em acta Conferencia internacional “40 IADE 40”, IADE; Lisboa. 1 a 3 de Outubro.
Publicado em Proceedings of the 5th International Conference of UNIDCOM/IADE “40 IADE40”, 2010,
ISBN 978-989-95639-4-0
2010 “O projecto da Cultura Avieira e os Arquitectos Sem Fronteiras Portugal”. Folha informativa do Projecto de Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional.
3 Edição de filme (90 min.) com entrevistas a pescadores Avieiros, Outubro de 2010.
4 Divulgação do Projecto na Exposição – ARQUITECTOS SEM FRONTEIRAS PORTUGAL – 10 anos (2000-2010), patente no Museu do Oriente de 22 de Outubro a 22 de Novembro de 2010, no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa. Evento inserido nas Comemorações do Dia da Arquitectura – “Melhor cidade, mais qualidade de vida”, com o apoio da Ordem dos Arquitectos.

Cabe aos ASFP analisar os referidos projectos e compatibilizar as intenções dos vários municípios, definindo uma estratégia concertada, tentando suprir a ausência de documentação técnica sobre os métodos construtivos das edificações Avieiras que os técnicos das autarquias relatam, construindo uma base de conhecimentos sólida, inventariando e analisando os exemplos da construção Avieira ainda existentes no território, reunindo informação bibliográfica dispersa e preparando a publicação de vários documentos sobre
os métodos construtivos Avieiros.
Todas estas acções visam suportar a fundamentação de Instrumentos Técnicos para a
Salvaguarda/Recuperação de edificado existente, assim como para a edificação de novas construções, que os ASFP têm vindo a designar de Manual de Boas Práticas.
Pretende-se que o documento em execução constitua um manual técnico de referência às futuras intervenções nas edificações e no espaço urbano das povoações Avieiras, apontando direcções para a conciliação dos seus métodos construtivos tradicionais com as potencialidades dos métodos construtivos da actualidade. Dado que os padrões de qualidade das edificações e qualificação do espaço urbano são hoje mais exigente que no passado, a missão passará também por compatibilizar as futuras intervenções com os actuais padrões de conforto e imposições regulamentares, garantindo a adequação ao contexto geográfico e
paisagístico, seguindo princípios de sustentabilidade, sem contudo perder a referência ao modo de construir Avieiro.
Simultaneamente este documento não pode perder de vista a necessidade de trabalhar uma solução de planeamento urbano que permita ultrapassar os constrangimentos e dificuldades advindos da classificação dos solos onde se localizam a maioria das edificações Avieiras, quase sempre tutelados por entidades supracamarárias.
Tal como não poderá nunca deixar de entender o Património Avieiro como um valor fortemente ligado ao território, que tem como pano de fundo uma paisagem natural que é necessária salvaguardar dado que ela, por si só, estrutura uma referência cultural, material e imaterial, capaz de sustentar todo um património de características específicas e excepcionais, como apenas algo vivo e em contínua evolução consegue oferecer…o Rio Tejo.
Desafio lançado pelos ASFP, desde o inicio!

É também com grande prazer e entusiasmo que os ASFP vêem o Projecto de Candidatura Avieira a Património Nacional gerar um movimento que arrasta igualmente a sua atenção para projectos que se dedicam à investigação de construções afins, como é o caso das “barracas de madeira” da Costa de Caparica e de outros exemplares, como os outrora existentes palheiros em Vieira de Leiria – que resultaram em estudos independentes a desenvolver pelos ASFP, embora inevitavelmente associáveis.
Entre eles podemos enunciar a consulta feita por parte da CostaPolis, Sociedade para o
Desenvolvimento do Programa Polis da Costa de Caparica, S.A., que resultou num Protocolo de Colaboração entre ambas as entidades (CostaPolis/ASFP), para a “Elaboração de um Estudo de Caracterização e Avaliação do eventual valor Cultural e Patrimonial (Histórico e Arquitectónico) das 44 construções de carácter precário, (barracas em madeira) localizadas na área de intervenção do PP5…”; assim como a solicitação da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria, no sentido de recuperar, de uma forma válida, o espírito dos palheiros Avieiros,
hoje tão descaracterizados naquela área de tanta importância para a génese da matriz Avieira.
Estas consultas foram repetindo de certa forma o processo desenvolvido ao longo da profícua
participação no Projecto de Candidatura Avieira a Património Nacional, com os vários parceiros e ao longo das diferentes localidades.
Porque os Arquitectos Sem Fronteiras acreditam, sinceramente, neste projecto, muito lhes apraz ver multiplicado o interesse e o entusiasmo dos vários agentes envolvidos nesta Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional – não só das autarquias locais, juntas de freguesia, empresas e instituições de ensino e seus investigadores mas, especialmente, dos habitantes dessas povoações que fizeram história à “bordad’agua”.
A todos os que partilham da nossa visão,

Saudações Sem Fronteiras!
Arquitectos Sem Fronteiras Portugal
Porto, Dezembro de 2010

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3 comentários
Friday, 31 July 2011 Anabela Oliveira said

Caro António Angeja, se tiver possibilidade de me enviar alguma informação sobre o que comenta, agradeço.

O meu e-mail é foto.anabelaoliveira@gmail.com

Obrigada

Monday, 31 May 2011 Antonio Angeja said

Os palheiros que vcs tanto defendem sao de construçao relativamente moderna, pois os tradicionais eram contruido em tabuas mais largas sobrepostas ou trincadas,…. As ripas finas usadas nos palheiros de que falam so podem ser feitas em serraçoes do seculo XX.. se me escreverem mando-lhes um pps com palheiros em diversos locais….mas sempre feitos por populaçoes idas da Ria de Aveiro…. podem tambem pedir a senhora Arquiteta Ines Calor, a quem enviei bastantes meios de apoio pois nao gostei do que referiu sobre a origem dos palheiros…

Monday, 31 May 2011 Antonio Angeja said

Ao falarem dos palheiros AVIEIROS estão a cometer um grande erro.
+A praia de Vieira de Leiria foi fundada pelos ILHAVOS.
+Antes dos Aveiros chegarem ao Tejo já lá andavam os Ilhavos há mais de 200 anos…
+Os Ilhavos contruiram palheiros por quase todo o litoral portugues desde Matosinhos a Isla Cristina em Espanha…

Quando escreverem sobre os pescadores portugueses e aquilo que fizeram, façam uma investigação correcta…

Perguntem que eu passo-vos o que tenho

Antonio Angeja

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